Quando digo que sou educadora de infância em geral, respondem com um “Ah” tão insípido que gostaria de dizer bem alto:
«Em que outra profissão poderia afagar-lhe os cabelos, fazer ou aconselhar penteados inovadores e ver um desfile de moda todos os dias e tão belos modelos?
Onde dizem diariamente a alguém: “És linda?”
Em qual outro trabalho se recebem e dão abraços que dizem, calados, o quanto se quer e é querida?
Onde podemos ser tão importantes que podemos chegar à estrela do desfile para lhe limpar o nariz?
Em que outro lado nos pode esquecer-nos das nossas tristezas, para dar atenção a tanto joelho e esfolado e corações aflitos? Onde poderia receber tantas flores todos os dias?
Onde? Sim! Onde, poderia iniciar na escrita uma mãozinha que, quem sabe, um dia poderá escrever livros ou ocupar o cargo que a senhora ministra ocupa hoje? Quem sabe?
Onde mais se podem receber presentes sorrisos que enternecem até á medula?
Em que outro lugar me fariam tantos retratos gratuitos com tanto carinho?
Em que outro lugar as minhas palavras causariam tanta admiração e tanta curiosidade?
Em que trabalho me receberia de braços abertos após ter faltado um dia?
Onde poderia assistir no lugar de honra, à execução de tantas e tão belas obras de arte?
Onde poderia aprofundar os meus conhecimentos sobre os bichos da seda, caracóis, formigas e borboletas?
Em que outro lugar derramaria lágrimas por ter de terminar um ano de relações tão alegres e felizes?
No meu serviço, sinto-me grande, trabalhando com pequenos.
A todos os que, como eu, dedicam o seu tempo, trabalho e saber, educadores, professores que tanto semeiam para que outros colham a todos os que escolheram esta profissão, OBRIGADO!»
